História da CART 2731


A artilharia é a arma dos fogos potentes, precisos, profundos e prolongados, mas na guerra de guerrilha a sua acção foi condicionada pela dispersão dos guerrilheiros, pelo fraco rigor das cartas topográficas e pelo mau estado das vias de comunicação para deslocar os materiais. Assim, a maioria das companhias de artilharia teve de combater como se tratasse de uma companhia de infantaria. A CART 2731 não fugiu à regra.

A CART 2731 foi formada no GAC 2, S. Martinho – Funchal. A unidade mobilizadora foi o Regimento de Artilharia Ligeira 3, de Évora. Os efectivos eram quase todos oriundos da Madeira.

A CART 2731 embarcou para Angola em 24 de Abril de 1970, no Funchal, a bordo do navio Timor, que esteve ao serviço desde 1950 até 1974. A sua capacidade era de 387 passageiros, mas quando transportava militares este número era largamente excedido O regresso aconteceu em 14 de Junho de 1972, num voo dos TAM - Transportes Aéreos Militares, com excepção do furriel miliciano Franquelino Santos, que foi colocado na Casa de Reclusão, em Luanda, para cumprir o resto da sua comissão de serviço.

A CART 2731 desenvolveu a sua acção no Leste e no Norte de Angola.

No Leste passou por Lucusse, Luvuei e Lutembo. Nesta zona, entre outras missões, a CART 2731 efectuou operações de patrulhamento e escoltas de MVL's (Movimento de Viaturas Logísticas).

No Norte esteve destacada, inicialmente, em Ambriz e, depois, na zona de Santa Cruz de Macocola (Aldeia Capitão e Aldeia Natal).

Em Ambriz tinha a seu cargo dois destacamentos, Capulo e Freitas Morna, e efectuava, para além de outras tarefas, acções de patrulhamento na zona.

O Destacamento de Freitas Morna situava-se a cerca de 50 metros da ponte sobre o rio Loge, na estrada de Ambriz para Ambrizete.

Na zona de Santa Cruz de Macocola a sua missão principal foi a de dar protecção a Companhias de Engenharia, envolvidas na construção e reparação de picadas, mas, para além disso, efectuava, esperodicamente, acções de patrulhamento.

Infelizmente, nem todos os elementos da CART 2731 regressaram vivos. Tivemos algumas baixas. O soldado Manuel Clemente Camacho morreu, vítima de doença, em 26 de Maio de 1970, poucos dias após a chegada a Angola e o soldado Manuel da Conceição Pestana foi morto, em 20 de Janeiro de 1971, por um guerrilheiro inimigo.

Também tivemos alguns feridos graves. O furriel miliciano Otílio Pinguinha Caliço foi ferido gravemente pelo rebentamento do detonador de uma granada de mão, tendo sido evacuado para a Metrópole, terminando, prematuramente, a sua comissão de serviço. O soldado João Fernandes ficou sem um pé, em 27/12/1970, ao accionar uma mina anti-pessoal, aquando de uma operação na zona do Catóio. A mina foi colocada pelo IN onde o furriel Artur Fernandes tinha dormido na noite anterior. No dia seguinte, o furriel ao passar próximo daquele local, notou que o capim tinha sido mexido e avisou o pessoal para que ninguém se aproximasse dali. O soldado Fernandes ignorou o aviso e o resultado foi trágico.

Última actualização em 2009/06/01
Franquelino Santos, Ex- Furriel Mil. da CART 2731